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Samba, Dream Pop, Dub e uma pitada de fim de tarde que tende inevitavelmente à Chillwave. Com todos estes elementos a dupla paraibana de João Pessoa, Glue Trip faz nascer um dos projetos mais curiosos da recente produção nacional. Aos comandos dos mascarados Lucas Moura e Felipe Augusto, a banda encontra uma relação curiosa com aquilo que Peaking Lights e Toro Y Moi vêm desenvolvendo há alguns anos em suas próprias obras. São canções mergulhadas em reverberações nostálgicas, acordes simples e melodias de vozes que praticamente se convertem em instrumento. Longe de parecer como um pastiche dos exageros psicodélicos que banham a música estrangeira, o projeto segue de forma decidida em uma linha autoral, algo como João Gilberto em um diálogo à beira mar com Chaz Bundick.
Com poucas composições em catálogo, o duo firma na relação com os versos melancólicos (sempre em inglês) uma relação muito próxima com o que ocupa a cena carioca recente. Faixas que discutem saudade, abandono e memórias recentes enquanto um plano sonoro de realces artesanais cresce preguiçoso ao fundo. Se há poucos meses a timidez de faixas como Júlio e Tropikaoss pareciam abastecer o trabalho de Moura e Augusto, bastam os instantes iniciais de Elbow Pain e La Edad Del Futuro para prever uma maturidade que parece construída aos poucos, sem esforço e certa dose de lisergia.
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Glue Trip – Elbow Pain
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Glue Trip – La Edad Del Futuro